Poemas

RENÚNCIA E SOLIDÃO
Renunciei ao mundo e à vã hipocrisia,
Na solidão me escondo, alheio aos rumores.
Não busco os olhares, nem clamo favores,
O silêncio me serve, me acolhe, me guia.
Se aos outros pareço uma alma fria
Imagem sem rosto, sem brilho ou cor,
Que importam juízos de incerto rancor,
Se a brisa do exílio é a paz que me alivia?
Não sou quem redime, nem sou salvação,
Aceito o silêncio, meu único abrigo,
E nele me entrego sem hesitação.
Que digam que sou frio, insensível e antigo,
Pois dentro de mim há um vasto clarão,
E nele, em segredo, o que amo eu bendigo.



