
BEIJO GRÁTIS
Nesse carnaval pude ver o quanto os foliões são por demais criativos. Imagine você, que, numa cidadezinha do interior de São Paulo, alguns jovens inventaram uma maneira de “molhar o beiço” criando o chamado: “beijo grátis”, isso mesmo, beijo grátis!
Li isso aqui mesmo, na internet. A matéria mostrava dois jovens, sendo que um deles segurava um cartaz escrito à mão com os seguintes dizeres: “BEIJO GRÁTIS”. Recortei os rapazes da foto e mantive o principal, o cartaz, este que você vê ilustrando esse texto, porque é o que me interessa no momento.
Confesso que essa ideia é novidade pra mim, um sujeito meio reservado, de poucas aventuras. Mas sabe como é, resolvi me jogar na campanha desses “nós cegos”.
As coisas estão tão complicadas por aí que qualquer conversa que eu entro só dá crise, futebol ou tragédia. Tá na cara que logo o caldo vai entornar pro meu lado, então pensei: “Melhor entrar de cabeça, ou melhor, de lábios, nessa onda de beijo grátis”. Vai que cola, né?
O investimento é mínimo, quase um achado: uma folha de papel — ou, na pior das hipóteses, um pedaço de papelão que você encontra em qualquer esquina da cidade grande; uma caneta, que eu posso surrupiar de alguém com jeitinho; e, claro, o ingrediente principal, a cara-de-pau.
Vou ser sincero, esse último item é o mais complicado, mas, como podem ver já estou exercitando aqui mesmo neste ‘post’.
Segundo os dadivosos beijoqueiros entrevistados na citada matéria, o negócio é de rentabilidade concreta, tanto que no final da noite já estavam necessitando de hidratação complementar.
A tática, devidamente explicada por eles é bastante simples, por isso não requer prática nem tampouco habilidade, e o principal: o risco de ficar sem beijar é estatisticamente nulo, segundo esses especialistas.
Cá estou, segurando o meu cartaz. Em tempos de crise somos obrigados a fazer inclusive o que gostamos… êh, mundo cão!