Êh meu pai, olha seu filho meu pai

Êh meu pai, olha seu filho meu pai!

…Se eu me sentir sozinho, ou sair do caminho e a dor vier de noite me assustar, êh meu pai, olha seu filho meu pai. (Raul Seixas).

 

Meu pai, quando tempo levei para só então perceber o quanto somos parecidos?… E devo confessar que me encho de orgulho quando me dizem isso.
Sua velha e constante busca pela perpetuação de seus sonhos; suas cismas; suas apostas nas coisas distantes… quanto mais de você meu velho, ficou em mim?
Quem dera meu pai, tivesse eu o ínfimo de coragem e obstinação que pude ver em você em todos esses anos, seria eu um guerreiro.

Pai, sei que no fundo choras em silêncio e diz sentir saudade, mantendo o quarto que eu dormia, intacto, numa espera de um retorno incerto deste seu filho tão seu e longe. Mas, que nada! Sabes bem o filho que tem, e essa liberdade, essa coisa de querer, veio de você mesmo.

Agora já nos misturamos nas ideias, nas poucas conquistas e nos muitos sonhos, estamos e somos um só, porque os pais são assim, doadores de si. Eu me fiz homem e pai, e só de pensar em distanciar-me dos meus, já morro por antecipação, então me pergunto: – De onde vem sua força?

Deu-me asas; ensinou-me a voar, e com certeza não esperaria me ver estacionado, então, como explicar a necessidade de me querer por perto? É que você é Pai.
Saiba meu velho, que nessa distância, o único que perde sou eu, e devo confessar que também choro ao sentir sua falta, mas, me renovo diariamente ao pronunciar seu nome: Raimundo Medrado.

Em seu nome, saúdo todos os pais do mundo… Eu te amo, meu pai.